Ablação para Fibrilação Atrial (FA) é uma opção de tratamento para FA. Quando informados, os pacientes ficam muito ansiosos: É perigoso? Quais os riscos? Confira!

Pergunte ao Cardiologista!

A dúvida de hoje foi do Sérgio Batista, veja?

Tenho extrassístoles e depois de várias associações de betas e antiarrítmicos, meu médico cardiologista passou para um Eletrofisiologista. Este, chegou à conclusão de que terá que fazer uma ABLAÇÃO de Fibrilação atrial (FA) – e por sinal, estou com muito medo (rs).
Mas eu fui a princípio diagnosticado com WPW: é a mesma técnica na Ablação da FA (feita nas veias pulmonares????) (por Sérgio Batista).

Qual é a dúvida?

Pelo que o Sérgio relata, há dois problemas / ou duas dúvidas:

  • Quais os riscos da ablação?
  • A técnica da ablação de FA é a mesma do WPW?

Vamos coma calma, vamos por partes e dar uma explicação mais detalhada:

Como tratar / abordar a Fibrilação Atrial?

Há uma série de ferramentas terapêuticas no tratamento da Fibrilação atrial e eles podem ser divididos em objetivos:

  • Reduzir os Riscos de embolia e AVC da fibrilação Atrial.
  • Reduzir os Sintomas de Palpitação da Fibrilação Atrail
  • Eliminar / acabar com a Fibrilação Atrial, em si (pouco habitual)

 

Quais os sintomas da Fibrilação atrial?

O sintoma principal da fibrilação atrial é a PALPITAÇÃO – que muitas vezes é confundida com os sintomas das EXTRASSÍSTOLES (como disse o Sergio).

Aliás, praticamente TODAS AS ARRITMIAS manifestam-se com PALPITAÇÕES (que é a percepção de que seus batimentos estão alterados).

Quais os riscos da Fibrilação Atrial?

A Fibrilação atrial traz riscos aos pacientes, tais como:

  1. Acidente vascular cerebral – o principal deles.
  2. Palpitações e taquicardias sintomáticas.
  3. Levar ao aparecimento de Insuficiência cardíaca (taquicardiomiopatia dilatada)

A ablação na Fibrilação atrial atua principalmente na segunda opção (opção 2), com o objetivo principal de reduzir os sintomas de palpitação.

Quando a Ablação para Fibrilação Atrial é indicada?

De acordo com o Guideline Europeu sobre a Fibrilação atrial (FA) publicado em 2016, European Heart Journal (2016): 37, 2893-2962, ablação de fibrilação atrial está indicada nos seguintes casos:

SITUAÇÃO 1: Você está muito sintomático: muitas palpitações.

Vamos aproveitar a dúvida e colocação do Sérgio:

Tenho EXTRASSÍSTOLES e depois de várias associações de betas e antiarrítmicos, meu médico cardiologista passou para um Eletrofisiologista. Este, chegou à conclusão de que terá que fazer uma ABLAÇÃO de Fibrilação atrial (FA) – e por sinal, estou com muito medo (rs).

  1. A Ablação para Fibrilação Atrial é indicada em Pacientes sintomáticos com FA paroxística, que têm recorrências sintomáticas apesar do uso de antiarrítmicos (AA), como: amiodarona, propafenona ou sotalol. Classe de indicação (CI) Ia – Nível de evidência (NE) A

SITUAÇÃO 2: Vamos tentar evitar o retorno dos sintomas de FA (palpitações).

  1. A Ablação para Fibrilação Atrial pode ser considerada como primeira escolha para prevenir recorrências e melhorar sintomas em pacientes selecionados com FA paroxística como uma alternativa aos AA considerando a escolha do paciente, riscos e benefícios. CI: IIa – NE: B

SITUAÇÃO 3: Na Insuficiência Cardíaca muito sintomática

  1. A Ablação para Fibrilação Atrial deve ser considerada em pacientes sintomáticos com insuficiência cardíaca (IC) para melhorar sintomas e a fração de ejeção do ventrículo esquerdo quando taquicardiomiopatia é suspeitada. CI: IIa – NE: C

Quais os riscos da Ablação na Fibrilação Atrial?

Nenhum procedimento é isento de riscos. A ablação é eficiente no tratamento dos SINTOMAS da fibrilação atrial, mas ela não reduz os riscos de Acidente vascular cerebral.

As principais complicações são:

  • Morte durante o procedimento: Menos que 0,2% (menos que 2 pacientes em cada 1000)
  • Perfuração e fístula no esôfago: Menos que 0,5% (menos que 5 pacientes em cada 1000).
  • AVC ou Ataque isquêmico durante o procedimento: Menos que 1%.
  • Tamponamento cardíaco: entre 1 e 2%

Complicações severas:

  • Estenose de veias pulmonares: Menos que 1%
  • Complicação vascular: 2 a 4%

Outras complicações:

  • Embolias cerebrais assintomática: entre 5 e 20%

A técnica da Ablação da Fibrilação Atrial:

Mas eu fui a princípio diagnosticado com WPW: é a mesma técnica na Ablação da FA (feita nas veias pulmonares????) (por Sérgio Batista).

E finalmente, respondendo ao Sergio, a técnica da Ablação para Fibrilação Atrial não é a mesma da Ablação do WPW – são diferentes e com complicações diferentes.

Tema muito técnico, mas…

O assunto é um pouco técnico e complexo e não posso me aprofundar em todos os detalhes. Mas se tiverem qualquer dúvida adicional, coloque nos comentário, ok?

Abraços.

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