Junio era um homem, com 53 anos, que procurou atendimento por palpitações e cansaço / dispneia aos esforços. Os exames iniciais já mostraram um coração dilatado e fraco. Ele tinha extra-sístoles ventriculares muito frequentes e seu coração só piorava! A melhora de Junio vai te surpreender!

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Em artigos anteriores, mostramos que Extra-Sístoles Ventriculares Frequentes podem causar disfunção ventricular e enfraquecimento da força de contração do coração e você também viu um tratamento que praticamente curam as extra-sístoles e ainda viu o caso de Renata, que eliminou seus sintomas de Palpitação com o tratamento cirúrgico.

Hoje, vamos mostrar um caso bastante interessante – de Junio, cuja doença, inicialmente, enganou os médicos e como o tratamento eficiente melhorou a situação desse paciente.

 

O Caso de Junio:

insuficiencia cardiacaJunio tinha 53 anos e sua saúde não estava bem. Ele apresentava palpitações frequentes e uma dispneia que lhe incomodava muito.

“Dr. eu estou muito cansado e as palpitações estão me incomodando muito” Disse ele.

 

Durante a Anamnese:

Durante a Anamneses, podia se perceber que ele estava desanimado e sua fala estava entrecortada e muito cansado. Ele relatava que as Palpitações ocorriam com muita frequência mas que a preocupação com as extra-sístoles reduziram depois que a falta de ar se tornou importante.

Resumindo:

 

A história familiar de Junio:

Não havia nenhuma informação relevante e seus parentes eram saudáveis.

 

O Exame de Junio:

Junio estava com exame físico que chamou a minha atenção! Confira:

  • Pressão Arterial: 90/50mmHg (9/5cmHg)
  • Frequência Cardíaca: 98bpm
  • Ele tinha sopros cardíacos.
  • O Ritmo do coração era Irregular;
  • Havia muitas extra-sístoles durante a ausculta do coração;
  • O Pulso era irregular.

Já no exame físico eu já pude perceber a presença de Extra-sístoles e algumas delas eram percebidas por Junio como “Arranques no peito” – uma definição típica das palpitações.

 


 

O Eletrocardiograma de Junio:

Extra-sistoles via de saída do VDO eletrocardiograma de Juno mostrava Extra-sístoles ventriculares monomórficas – com padrão de via de saída do Ventrículo Direito.

  • Eram Extra-Sístoles ventriculares monomórficas frequentes.
  • Eram Extra-sístoles originadas da Via de Saída do Ventriculo direito.
  • Estavam associadas a Disfunção Ventricular do Ventrículo esquerdo.

 

Exames Complementares:

Junio era muito sintomático e tinha, além de palpitações, dispneia – indicando uma Insuficiência cardíaca.

 

Ecocardiograma:

O Ecocardiograma mostrou um coração enfraquecido, com insuficiência cardíaca e uma importante Disfunção Ventricular (um coração muito fraco).

  • Função sistólica Reduzida: Fração de Ejeção de 45%
  • Dilatação das câmaras cardíacas – coração crescido.
  • Insuficiência mitral em grau leve a moderado.

 

O Holter de 24horas:

Surpreendentemente, ele tinha 55.000 extra-sístoles ventriculares monomórficas em seu holter, o que representava aproximadamente 45% do total dos batimentos cardíacos.

  • Batimentos Totais: 141.120 / dia.
  • Extra-sístoles Ventriculares monomórficas: 55.000 extra-sístoles (38,9%).
  • Extra-sístoles Sintomáticas: 3 palpitações registradas no Botão de Eventos – poucas palpitações;

 

O Teste ergométrico:

Ela realizou Teste ergométrico e durante o esforço, as extra-sístoles reduziram a sua frequência das extra-sístoles e nenhuma arritmia grave foi detectada.

 

A Cintilografia:

Na cintilografia, não houve nenhuma evidência de que a insuficiência cardíaca fosse provocada por doença nas coronárias, que são as obstruções nas artérias que irrigam o coração.

 

O Cateterismo:

O cateterismo também não evidenciou nenhuma obstrução coronariana e confirmou o Enfraquecimento do coração de Junio.

 

O Raio X de torax:

A radiografia de tórax mostrou uma cardiomegalia, que é o coração grande.

 

A Ressonância Nuclear Magnética Cardíaca:

A Ressonância não demonstrou nenhuma alteração que justificasse uma arritmia mais grave ou a presença de alguma doença do músculo cardíaco.

 


 

 

Diferente dos outros casos apresentados até aqui, Junio tinha uma lesão estrutural cardíaca e, portanto, seu coração não era mais normal – ele tinha uma Insuficiência cardíaca e, portanto, o seu risco de complicações e morte súbita era muito maior.

 

Mas a pergunta que devemos fazer é:

  1. A insuficiência Cardíaca era Causa das Extra-sístoles? ou
  2. As extra-sístoles eram a causa da Insuficiência Cardíaca?

Será que a quantidade enorme de Extra-sístoles ventriculares monomórficas de Junio foram culpadas pela Insuficiência Cardíaca?

Continue lendo e você verá que as Extra-sistoles ventriculares não são tão santas como você poderia imaginar.

 

Como tratar o Junio?

Junio tem lesão estrtural, tem uma disfunção ventricular e precisa do tratamento para sua Insuficiência Cardíaca.

Não foi possível utilizar medicações antiarrítmicas para este Junio com uma baixa fração de ejeção (FE) e a causa de
seus sintomas eram por causa das Extra-sístoles ventriculares.

Como no caso de Renata, que tinha Pressão arterial baixa, não seria possível aumentar a dose de medicamentos para o Junio, pois ele iria ter sintomas de Hipotensão arterial e se sentiria muito mal.

 

Junio foi fazer Ablação por Cateter.

Lembra-se da pergunta que fizemos anteriormente nesse caso?

  1. A insuficiência Cardíaca era Causa das Extra-sístoles? ou
  2. As extra-sístoles eram a causa da Insuficiência Cardíaca?

Apesar de Junio ter lesão estrutural cardíaca e, portanto, tinha um coração anormal, imaginamos que a causa das insuficiência cardíaca eram as extra-sístoles ventriculares frequentes.

 

O Estudo Eletrofisiológico e Ablação:

No estudo eletrofisiológico, observou-se que as Extra-sístoles tinham eram muito frequentes, tinham origem na via de saída do Ventrículo direito e nenhuma arritmia grave foi detectada.

A ablação – cauterização do local que gerava as Extra-sístoles fez com que elas desaparecessem e o Junio saiu do procedimento sem qualquer complicação.

 


 

 

O Andamento…

30 dias depois…

Ele realizou Holter de 24horas que mostrou:

  • 1200 extra-sístoles ventriculares – diferentes das anteriores (antes eram 55.000);
  • Nenhuma palpitação.

Ecocardiograma:

  • Fração de ejeção normalizou-se.
  • O tamanho do Ventrículo reduziu e se tornou normal.

O Raio X de Tórax:

  • Reduziu 50% do tamanho da Área Cardíaca.

 

Conclusão:

Quando tratar com Ablação?

Em um subgrupo de pacientes com cardiomiopatia idiopática aparente e Extra-sístoles ventriculares freqüentes monomórficas isolados, a Ablação com cateter é a melhor escolha para eliminar o foco da arritmia. Em outras palavras, mesmo em um paciente com Disfunção Ventricular, com um coração crescido – devemos imaginar que o problema foi causado pelas Extra-sístoles e o tratamento por ablação é uma ótima opção.

Quando são monomórficas!

Extra-sístoles ventriculares unifocais (geradas em um só local do ventrículo) e monomórficas, principalmente na via de saída do ventrículo direito trato são comuns e a ablação por cateter é um tratamento eficaz e seguro para estes pacientes. 1)Catheter Ablation for Ventricular Tachycardia 2)A Case of Cardiomyopathy Induced by Premature Ventricular Complexes 3)Treating patients with ventricular ectopic beats

 

E você? o quê achou?

Não existe uma verdade absoluta na medicina e na cardiologia. Esse caso é muito interessante e ilustra que existem opções de tratamento para pacientes que estão gravemente enfermos – tudo por causa das extra-sístoles ventriculares monomórficas – que aparentemente são inocentes.

Na verdade, na grande maioria das vezes, elas são, sim, inocentes, mas há casos como o de Junio que precisam ser acompanhados e oferecida uma opção mais eficiente para seu tratamento.

Nota importante!

O Efeito deletério e maléfico das extra-sístoles ventriculares não é rápido – é um processo demorado e de longa data. O Junio era um paciente que reclamava pouco, no início do problema (anos e anos antes) e só depois que seu coração ficou fraco e crescido que ele foi em busca de tratamento médico.

Outro exemplo bem ilustrativo de um bom acompanhamento ocorreu com a Renata (Caso #3) e com a Marcela (que começou a ter problemas no coração por causa das Extra-sístoles).

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