Fibrilação Atrial – Seu Guia Definitivo!

A fibrilação atrial (também chamado de FA) é uma irregularidade nos batimentos cardíacos (uma arritmia) que pode levar à formação de coágulos sanguíneos, acidente vascular cerebral, insuficiência cardíaca e outras complicações relacionadas com o coração. Os pacientes referem-se a fibrilação atrial como se o seu coração estivesse tremendo. Confira!

A fibrilação atrial, assim como o flutter atrial, é um tipo comum de arritmia cardíaca. O ritmo cardíaco do coração se torna rápido e irregular nesta condição. 1)MedlinePlus 2)Heart.com

 

Qual a prevalência da Fibrilação Atrial?

A prevalência de FA na população geral é estimada entre 0,4% e 1%, aumentando substancialmente com a idade. 3)Diretrizes Brasileiras de Fibrilação Atrial A média de idade dos pacientes com FA é de 75 anos sendo que 70% da população com FA está na faixa etária dos 65 aos 85 anos.

Devido às complicações como o Derrame (Acidente vascular cerebral), a Fibrilação atrial torna-se um enorme problema de saúde pública no Brasil e no mundo; um mal que às vezes está secreto, mas que pode se revelar bastante traumático para o paciente.

 

História da Fibrilação Atrial

A primeira referência à Fibrilação Atrial (FA) vem de citações de um médico imperador chinês, chamado Huang Ti Nei Ching Su Wen que viveu no período de 1696 a 1598 a.C. em sua obra “The Yellow Emperor´s Classic of Internal Medicine” 4)Wikipedia.

Entretanto, cientificamente a FA começou a ser conhecida no século XV quando recebeu várias denominações, todas elas referindo-se ao ritmo irregular e acelerado observado na arritmia (delirium cordis, pulsus irregularis perpetuus, “palpitações revoltosas”, etc) 5)Diretrizes Brasileiras de Fibrilação Atrial

 

O quê é Fibrilação Atrial?

A Fibrilação Atrial é uma arritmia que ocorre nos átrios do coração, por isso, chamada de supraventricular, em que ocorre uma completa desorganização na atividade elétrica dos átrios, fazendo com que os átrios percam sua capacidade de contração.

Fibrilação atrial

Esta alteração é associada a uma freqüência ventricular rápida e irregular que só ocorre na presença de nó atrioventricular íntegro e sem ação de fármacos que comprometam sua capacidade de condução. 6)Diretrizes Brasileiras de Fibrilação Atrial

 

A Fibrilação Atrial no Eletrocardiograma.

Caracteristicamente, a Fibrilação Atrial apresenta uma alteração característica no eletrocardiograma:

    • Ausência da onda P; e
    • Irregularidade no ritmo cardíaco.
    • A Frequência cardíaca pode ser normal, lenta ou acelerada.

Veja um video de exemplo (em inglês): AF (Atrial Fibrilation = Fibrilação Atrial):

 

 

Flutter Atrial – o que é?

O Flutter Atrial é uma forma de Arritmia muito semelhante á fibrilação Atrial, tanto em seus sintomas, fatores de risco, tratamento e prognóstico. Portanto, praticamente todas as informações sobre a fibrilação atrial se aplicam ao Flutter atrial.

 

Quais as Causas da Fibrilação Atrial?

Quando o coração se contrai adequadamente, as suas quatro câmaras trabalham de forma coordenada. O sinal elétrico que comanda o batimento cardíaco começa normalmente no nó sinusal. Estes sinais ajudar o seu coração bombear a quantidade certa de sangue para as necessidades do seu corpo. Na fibrilação atrial, o impulso eléctrico do coração é irregular. 7)MedlinePlus

As causas mais comuns de fibrilação atrial incluem:

  • O uso de álcool
  • Doença na artéria coronária
  • Ataque cardíaco ou cirurgia cardíaca (ponte de safena e outras)
  • A insuficiência cardíaca ou um coração aumentado.
  • Doença da válvula do coração (na maioria das vezes a válvula mitral)
  • Hipertensão
  • Medicamentos
  • Hiperatividade da glândula tireoide (hipertireoidismo)
    A fibrilação atrial ocorre em 10% a 25% dos pacientes com hipertireoidismo, predominando no sexo masculino e nos idosos. Há estudos demonstrando que a presença de FA nos pacientes com hipertireoidismo eleva o risco de descompensação cardíaca e de fenômenos trombo-embólicos. 8)Diretrizes Brasileiras de Fibrilação Atrial, 2009
  • Pericardite
  • Síndrome do nódulo sinusal

 

Há uma Tendência Genética!

A presença de um parente próximo com fibrilação atrial pode aumentar o risco de o paciente ter a FA. Um estudo de mais de 2.200 pessoas com fibrilação atrial constatou que 30 por cento tinham pais com a doença. 9)Jama. Alguns estudiosos e Arritmologistas classificam a fibrilação atrial em até 4 tipos genéticos diferentes. 10)Atrial fibrillation and genetic abnormalities

 

Do ponto de vista do paciente…

Apesar de a fibrilação atrial não tratada duplica o risco de mortes relacionadas com o coração e causa um aumento do risco 4-5 vezes nas chances de o paciente ser acometido por um AVC, muitos pacientes não sabem que Fibrilação atrial é uma condição séria. De acordo com uma pesquisa, feita em 2009 chamada “Out of Sync” – traduzido como “Fora de Sincronia”: 11)Out of Sync

  • Apenas 33% dos pacientes com FA entendem que a fibrilação atrial é uma doença grave;
  • Menos da metade dos pacientes com FA acreditam que têm um risco aumentado de acidente vascular cerebral ou hospitalizações relacionadas com o coração ou morte.

 

Quais as formas de Fibrilação Atrial?

A atual classificação proposta para a Fibrilação Atrial é: 12)Diretrizes Brasileiras de Fibrilação Atrial

  1. Inicial: A inicial ou novo diagnóstico refere-se à primeira vez em que é feito o diagnóstico ou ao diagnóstico de novos episódios.
  2. Paroxística: é aquela que termina espontaneamente, sem ação de fármacos ou necessidade de cardioversão (CV) elétrica (um tipo de tratamento). Geralmente são episódios que duram menos de 7 dias, freqüentemente menos que 24 horas, podendo ou não apresentar recorrências.
  3. Persistente: A persistente é aquela que se instala e não se interrompe, a menos que seja realizada cardioversão elétrica ou com medicamentos. Normalmente são episódios que duram mais de 7 dias e também podem ou não recorrer. Incluída nesta categoria é a FA com duração superior a 1 ano, chamada de FA persistente de longa duração.
  4. Permanente: é aquela FA onde as tentativas de reversão falharam ou na qual se fez a opção por não tentar a reversão da arritmia. Entretanto, apesar das três formas de FA serem distintas entre si, é possível que um paciente migre de uma forma para outra.

 

Quais os Sintomas da Fibrilação Atrial?

Fibrilação AtrialO sintoma mais comum da Fibrilação atrial são: tremores ou batimentos cardíacos irregulares. A fibrilação atrial é o tipo mais comum de arritmia cardíaca. 13)Heart.com

Às vezes, pacientes com Fibrilação Atrial podem não ter sintomas e a sua doença é encontrada esporadicamente em um exame médico, durante o exame físico. Por outro lado, outros pacientes podem experimentar um ou mais dos seguintes sintomas:

  • Fadiga geral;
  • Batimentos cardíacos rápidos e irregulares;
  • Vibração ou “pancada” no peito;
  • Tontura;
  • Falta de ar e ansiedade;
  • Fraqueza;
  • Desmaios ou confusão;
  • A fadiga no exercício;
  • Sudorese;
  • Dor ou pressão no peito – que pode simular, assemelhar-se ao infarto ou ser, realmente, um infarto.

 

Veja como pacientes descreveram a sua experiência:

“Meu coração pula as batidas, e parece que está batendo contra a minha parede torácica, especialmente se eu estou subindo escadas ou abaixando-me.”

“Eu estava enjoado, tonto, e fraco. Eu tinha um batimento cardíaco muito rápido e senti como se estivesse com falta de ar”.

“Eu não tinha nenhum sintoma. Eu descobri a fibrilação atrial em um Check-up. Estou feliz que encontramos mais cedo.”

 

Quais os Fatores de Risco para Fibrilação Atrial?

Certos fatores podem aumentar o risco de desenvolver fibrilação atrial. 14)MayoClinic Esses incluem:

  • Idade: Quanto mais velho você é, maior o risco de desenvolver fibrilação atrial.
  • Doença cardíaca. Qualquer pessoa com doença cardíaca – como problemas cardíacos de válvulas, cardiopatias congênitas, insuficiência cardíaca congestiva, doença arterial coronariana, ou um historial de ataque cardíaco ou cirurgia cardíaca – tem um risco aumentado de fibrilação atrial.
  • Pressão alta. Ter pressão alta, especialmente se não for bem controlada com mudanças de estilo de vida ou medicações, pode aumentar o risco de fibrilação atrial.
  • Outras condições crônicas. Pessoas com certas condições crônicas, como problemas de tireoide, apnéia do sono, síndrome metabólica, diabetes, doença renal crônica ou doença pulmonar têm um risco aumentado de fibrilação atrial.
  • O consumo de álcool. Para algumas pessoas, o consumo de álcool pode desencadear um episódio de fibrilação atrial. “Binge drinking” 15)Wikipedia, que seria o nosso famoso “Porre de álcool”, pode colocá-lo em um risco ainda maior.
  • Obesidade. As pessoas que são obesas têm um risco maior de desenvolver fibrilação atrial.
  • História de família. Um aumento do risco de fibrilação atrial está presente em algumas famílias. 16)Jama

 

Quais exames são necessários?

Além de uma boa história clínica, o médico lança mão do Eletrocardiograma, do Ecocardiograma e do Holter.

 

O quê a Fibrilação pode lhe causar?

Às vezes, a fibrilação atrial pode levar a as seguintes complicações: 17)MayoClinic

Acidente Vascular Cerebral – AVC.

Fibrilação Atrial

Na fibrilação atrial, o ritmo caótico pode causar acúmulo de sangue nas câmaras superiores do seu coração (átrios) e formar coágulos. Se se forma um coágulo de sangue, que poderia desalojar de seu coração e viajar para o seu cérebro. Lá pode bloquear o fluxo de sangue, causando um acidente vascular cerebral.

 

O risco de AVC em pacientes com fibrilação atrial depende de sua idade (você tem um maior risco com a idade) e se você tem pressão arterial elevada, diabetes, história de insuficiência cardíaca ou acidente vascular cerebral anterior, e outros fatores.

 

 

Certos medicamentos, tais como anticoagulantes do sangue, pode reduzir muito o risco de acidente vascular cerebral ou a danos a outros órgãos causados por coágulos sanguíneos.

 

Observe atentamente no VIDEO, aos 1,54min a formação de um coágulo que é conduzido pela corrente sanguínea até o cérebro.

 

Insuficiência cardíaca.

cardiomegaliaA fibrilação atrial, especialmente se não for controlada, pode enfraquecer o coração e levar à insuficiência cardíaca – uma condição em que o coração não pode circular o sangue suficiente para atender às necessidades do seu corpo.

 

O Tratamento da Fibrilação Atrial

Há três formas principais de se fazer o tratamento da Fibrilação Atrial, cada um delas com objetivos diferentes: 18)EMedicine.Medscape 19)NLM.NIH

 

Objetivo 1: Fazer com que o coração volte ao Ritmo Normal (Sinusal).

Nesse caso, o Tratamento cardioversão é usado para fazer com que o coração de volte ao seu ritmo normal de imediato. Há duas opções para o tratamento:

  1. Choques elétricos para o seu coração;
  2. Drogas dadas através de uma veia

Estes tratamentos podem ser feitos como uma emergência, ou planejado antes do tempo.

Ablação da Fibrilação Atrial

Um procedimento chamado ablação por radiofreqüência pode ser usado em áreas de cicatriz em seu coração, onde os problemas de ritmo cardíaco são acionados. Isto pode evitar que os sinais eléctricos anormais que causam a fibrilação atrial espalhem-se pelo seu coração. Você pode precisar de um marcapasso cardíaco após este procedimento. 20)Italian heart Journal

 

Objetivo 2: Para impedira que a Fibrilação Atrial Volte.

Nesse caso, os Medicamentos de uso contínuo e diário, por via oral são usados ​​para:

  • Diminuir o batimento cardíaco irregular. Estes fármacos podem incluir beta-bloqueadores, bloqueadores do canal de cálcio, e digoxina.
  • Prevenir a volta da fibrilação atrial. Estas drogas funcionam bem em muitas pessoas, mas podem ter efeitos secundários graves. A fibrilação atrial retorna em muitas pessoas, mesmo enquanto estão a tomar estes medicamentos.

 

Objetivo 3: Para Impedir/Evitar a Formação de Coágulos e Trombos.

Nesse caso, Anticoagulantes são utilizados para reduzir o risco de desenvolvimento de um coágulo de sangue que se desloca no corpo (tal como um acidente vascular cerebral). Eles incluem a heparina, varfarina (Coumadin), Apixaban (Eliquis), a Rivaroxabana (Xarelto) e Dabigatran (Pradaxa).

Estes medicamentos aumentam a chance de sangramento, por isso nem todos podem usá-los. Os antiagregantes plaquetários, como a aspirina ou clopidogrel também podem ser prescritos. 21)Publimed 22)Lancet O seu médico irá considerar a sua idade e outros problemas médicos no momento de decidir quais as drogas são as melhores.

 

E então, como está o seu tratamento?

Você tem fibrilação Atrial? Algum parente? Qual a sua experiência? Agora é a sua vez, deixe o seu comentário ou a sua dúvida. Abraços.

References   [ + ]

Author: Dr. Leonardo Alves

Médico, Cardiologista que entende que a internet pode e deve ser uma fonte inesgotável de informações para os pacientes.
CRMMG: 33.669 – Trabalha na Clínica Cardiovasc, em Teófilo Otoni, MG

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4 Comments

  1. Doutor, já fiz duas ablações,a primeira em 2009 e a segunda em 2011, pois eu sentia muita arritmia cardíaca e só revertia através de medicação na veia. Depois dessa segunda ablação, ainda continuo sentindo muita palpitação, embora não tenho mais fibrilação atrial, mas o problema que qualquer esforço físico já sinto palpitação, até mesmo numa simples caminhada, o que devo fazer pra melhorar esse quadro?

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    • Fábio.
      A taquicardia existirá e EXISTE em todas as pessoas…
      Fez esforço, ocorre taquicardia – mas isso é normal.
      O problema é que alguns pacientes ficam COM MEDO delas (medo não justificado).
      No seu caso, que teve fibrilação atrial ANTES… talvez passe pela sua cabeça que está tendo NOVAMENTE…
      Mas, taquicardia não é doença.
      Abraços.

      Post a Reply
  2. Desde novo sempre tive algumas extrassístoles e convivi “bem” com elas. Mas dentro de um mesmo ano apareceu a Fibrilação Atrial. Estava começando a dormir quando senti uma “extrassístole que não parava”, contínua. Se eu fosse um carro de quatro cilindros, diria que uma das velas estava falhando. Era o que eu sentia. O coração dava umas quatro batidas “normais” e falhava na quinta. E repetia o ciclo. Fui internado e logo após a fibrilação reverteu com o uso de amiodarona. Passaram-se dois meses e tive novamente. Voltei a ser internado e a fibrilação foi novamente revertida com amiodarona. Com a normalidade, meu cardiologista trocou a amiodarona pela propafenona e voltei á minha vida normal. Com o passar de alguns meses o médico reduziu a dose da propafenona de 1 comprimido pela manhã e à noite para meio de manhã e meio à noite. Aconteceu uma terceira fibrilação dentro de dois meses. Desta vez fiquei internado por três dias com a reversão feita com amiodarona. Ao ter alta, e sabendo dos graves efeitos colaterais que a amiodarona pode provocar, pedi ao cardiologista para substituir a medicação pela propafenona, tomando novamente a dose original de 1 comprimido pela manhã e outro à noite. Já estou com 5 anos sem qualquer fibrilação, caminhando 5 Km por dia mas ainda com um sobrepeso.
    Minha preocupação é se a propafenona, tomada por tanto tempo, não está causando algum dano ao resto do organismo. Mas temo que a eventual redução da dose possa puxar o rabo do leão e causar a volta da fibrilação. E aí? Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come?

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    • Paulo.
      Um fator importante na fibrilação atrial é a idade e risco de embolia – o famoso CHADSVASC.
      Todo medicamento, como propafenona, tem riscos… Mas a ausência de fibrilação atrial é ótimo.
      Mantenha seu coração saudável, faça exercícios e (espero) ela não voltará.
      Abraços

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  1. Síndrome de Wolff-Parkinson-White - W-P-W - Absolutamente Tudo! - […] de Wolff-Parkinson-White, ocasionalmente, ter um tipo de arritmia cardíaca conhecida como fibrilação atrial. Nestas pessoas, os sinais e sintomas…

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